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Domingo, Março 09, 2008
Alma de mulher
Ah! A alma de mulher,
Adorá-la, quem não quer?
Mas a mulher feminina,
Que se faz sempre menina,
Plena na compreensão
E pronta para o perdão.
Ah! A alma de mulher.
Venerá-la, quem não quer?
Sorrisos de alegria,
Ternura que irradia,
Sem perder a firmeza
Que lhe revela a grandeza.
Ah! A alma de mulher.
Admirá-la, quem não quer?
No brilho do olhar,
No doce falar,
No toque da mão
Que cativa o coração.
Ah! Mas essa alma bendita,
Anseio de quem na desdita,
Busca a paz em seu colo,
Para repouso do solo
E dos tormentos seus,
Vive ao lado de Deus.
Donizete Pinheiro
- GH,7:24 PM
Sábado, Março 08, 2008
Soneto
Dom Pedro II.
Não maldigo o rigor de iniqua sorte,
Por mais atroz que seja e sem piedade,
Arrancando-me o throno e a magestade,
Quando a dois passos só estou da morte!
Do jogo das paixões minh'alma forte
Conhece a fundo a triste realidade,
Pois, se agora nos dá felicidade,
Amanhã tira o bem, que nos conforte.
Mas a dôr que excrucia, a que maltrata
A dôr cruel que o animo deplora,
Que fere o coração e quasi o mata,
E' ver da mão fugir, á extrema hora,
A mesma bocca lisongeira e ingrata,
Que tantos beijos nella poz outr'ora!
(Grafia da Língua Portuguesa em 1914)
- GH,6:25 PM
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